A Polícia Federal (PF) incluiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI) como o principal destinatário de um esquema de repasses ilegais que supostamente teria sido financiado por DANIEL VORCARO, proprietário do Banco Master. O apontamento faz parte de uma representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero, iniciada na quinta-feira (7).
O documento da PF descreve Ciro Nogueira como o "destinatário central" das vantagens indevidas e como um agente público que, em tese, utilizou seu mandato para favorecer os interesses de DANIEL VORCARO. A investigação revela que os pagamentos realizados ao senador começaram em R$ 300 mil, posteriormente alcançando valores de até R$ 500 mil, feitos por meio de uma rede de empresas ligadas a VORCARO.
Além dos repasses mensais, a PF detalha que Ciro Nogueira teria utilizado sua influência no Congresso Nacional para aprovar pautas que beneficiavam o Banco Master. Um exemplo citado é a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, que visava aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. O texto da emenda, segundo a investigação, foi elaborado pela assessoria do banco e entregue na residência do senador.
Outras modalidades de transferência de recursos também foram mencionadas no relatório policial. A PF destaca a aquisição de uma participação societária por uma empresa vinculada ao irmão de Ciro Nogueira, que foi comprada por R$ 1 milhão, embora a avaliação de mercado fosse estimada em cerca de R$ 13 milhões. Além disso, são mencionados pagamentos para despesas pessoais do senador, viagens internacionais e a disponibilização de um imóvel pertencente a VORCARO.
Na quinta-feira, a PF executou a 5ª fase da Operação Compliance Zero, com autorização do ministro do STF André Mendonça. Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão em estados como São Paulo, Minas Gerais, Piauí e Distrito Federal. Durante a operação, Felipe Cançado VORCARO, primo de DANIEL VORCARO, foi preso temporariamente. Raimundo Neto, irmão do senador, e Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, outro suposto operador financeiro, também foram alvos das medidas.
A Justiça impôs medidas cautelares aos investigados, incluindo a proibição de contato entre eles, além da suspensão das atividades de quatro empresas suspeitas de envolvimento na lavagem de dinheiro, entre as quais a Green Investimentos e a Green Energia Fundo de Investimento em Participações. A operação investiga crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e infrações ao Sistema Financeiro Nacional.



